
O Brasil enfrenta uma grave crise de violência contra a mulher. Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam um aumento preocupante nos casos de feminicídio — assassinatos motivados por gênero, cometidos em sua maioria por parceiros ou ex-parceiros. Só em 2024, mais de 1.400 mulheres foram mortas nessas circunstâncias, o maior número já registrado desde que o crime foi tipificado em 2015.
O crescimento da violência de gênero expõe falhas na proteção institucional e na cultura que ainda normaliza o controle e a agressividade masculina sobre o corpo e a vida das mulheres.
Feminicídio é o homicídio de uma mulher motivado por ódio, desprezo ou sentimento de perda de posse, geralmente por razões ligadas ao fato de ela ser mulher. Está previsto no Código Penal brasileiro desde 2015 como uma qualificadora do crime de homicídio, com pena de 12 a 30 anos de prisão.
Quando procurar ajuda?
Toda mulher que sofre ameaças, agressões físicas, psicológicas, morais, patrimoniais ou sexuais pode e deve procurar ajuda imediatamente — mesmo que ainda não tenha acontecido violência física. Em muitos casos, o feminicídio é o último passo de um ciclo que começa com abusos silenciosos e recorrentes.
O Brasil possui uma rede de proteção às mulheres em situação de violência. Confira os principais canais:
📞 Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher
Gratuito, 24 horas por dia, em todo o país.
Oferece orientação, acolhimento e encaminhamento aos serviços da rede de proteção.
🚔 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM)
Presentes em diversos estados, contam com profissionais preparados para lidar com casos de violência de gênero.
Também é possível registrar boletim de ocorrência online, em alguns estados.
📲 Aplicativos como “Maria da Penha Virtual” ou “SOS Mulher”
Ferramentas criadas para facilitar denúncias e agilizar pedidos de medida protetiva.
🏥 Centros de Referência de Atendimento à Mulher
Oferecem apoio jurídico, psicológico e social gratuito.
Podem orientar sobre como sair do ciclo de violência e reconstruir a autonomia.
⚖️ Defensoria Pública
Atua na defesa legal gratuita das mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo processos por medida protetiva, guarda dos filhos e separação.
Como se proteger e romper o ciclo da violência
Denuncie o agressor, mesmo que anonimamente.
Converse com alguém de confiança. O isolamento é um dos principais aliados da violência doméstica.
Guarde provas, como mensagens, áudios e fotos, que possam ser usadas em denúncias.
Peça medida protetiva à Justiça. A Lei Maria da Penha garante mecanismos legais para afastar o agressor do convívio com a vítima.
Informe-se sobre abrigos e casas de passagem. Cidades de médio e grande porte costumam oferecer locais seguros e sigilosos para acolhimento temporário.
O combate ao feminicídio não é apenas uma responsabilidade individual das mulheres, mas de toda a sociedade. Denunciar, acolher e pressionar por políticas públicas eficazes são atitudes fundamentais para frear essa epidemia silenciosa. O silêncio protege o agressor — a informação, a denúncia e a solidariedade salvam vidas.