
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante 2ª Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) (Crédito: Claudio Kbene/ PR)
Durante evento realizado nesta quarta-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas à postura de empresários, dirigentes e políticos em relação ao equilíbrio econômico do país. Em discurso na sede do Ministério de Minas e Energia, Lula pediu que interesses pessoais e setoriais sejam deixados de lado em prol do bem coletivo e questionou a ausência de fraternidade e responsabilidade social entre os líderes brasileiros.
“Cadê o espírito cristão desses empresários, desses dirigentes, desses políticos? Onde está nossa capacidade de fraternidade?”, declarou o presidente, ao mencionar os altos gastos globais com a indústria bélica e a falta de solidariedade em questões sociais.
Segundo Lula, o debate público sobre as medidas adotadas pelo governo federal tem sido dominado por “interesses pequenos”, enquanto as necessidades reais do país ficam em segundo plano. O presidente criticou a recorrente reclamação da classe empresarial sobre a carga tributária, afirmando que a atual é a menor desde 2021.
“Estou cansado de ouvir empresários falando de impostos. Ninguém fala dos R$ 800 bilhões em dívidas fiscais acumuladas, nem das desonerações. Mas, quando se trata de cortar verba, olham logo para a educação”, disse Lula.
A declaração foi feita durante o lançamento do programa “Combustível do futuro chegou: E30 e B15”, que elevou os percentuais obrigatórios de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel. Com a nova medida, a mistura de etanol anidro na gasolina tipo C passa de 27% para 30% (E30), e o mínimo de biodiesel no diesel sobe de 14% para 15% (B15).
Lula celebrou a aprovação da proposta, destacando que essa foi uma das raras ocasiões em que recebeu elogios dos empresários por uma medida adotada em seus mandatos.
Por fim, o presidente voltou a defender que os empresários assumam maior responsabilidade com o desenvolvimento nacional. “Eles precisam parar de jogar a culpa no Congresso ou no Planalto. Precisam cuidar do Brasil”, concluiu.