
A importação de aço plano no Brasil teve uma alta expressiva em maio de 2025, registrando crescimento de 71,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, totalizando 417,9 mil toneladas. Os dados são do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) e acenderam um sinal de alerta no setor, que classificou o volume como “chocante”.
Mesmo com a recente decisão do governo federal de ampliar a lista de produtos siderúrgicos sujeitos à tarifa de importação de 25%, o material importado continua competitivo. Segundo Carlos Loureiro, presidente do Inda, empresários seguem optando pela importação mesmo arcando com a alíquota. “Alguns colegas estão comprando material do exterior mesmo pagando os 25%. Esse material continua entrando com uma vantagem muito grande”, afirmou.
No fim de maio, o governo renovou por mais 12 meses o sistema criado em 2024 para proteger a indústria siderúrgica nacional. A medida incluiu mais quatro produtos que vinham sendo usados para burlar a tarifa sobre os 19 já listados anteriormente.
O estoque total de aço plano entre os distribuidores brasileiros atingiu 1,07 milhão de toneladas em maio, um aumento de 1% em relação a abril e de 17,1% na comparação anual. Esse volume é suficiente para atender o mercado por 3,3 meses, superando a média histórica de 2,9 meses. Apenas os laminados a quente somaram 685 mil toneladas em estoque — 22% a mais do que em maio de 2024.
Loureiro alertou ainda para o risco financeiro dos distribuidores caso os preços do aço caiam nos próximos meses: “Hoje, praticamente todo mundo está com o preço médio dos estoques acima do preço de reposição.”
Os principais portos de entrada do aço plano importado continuam ativos. O porto de São Francisco do Sul (SC), principal porta de entrada do insumo, já acumula 900 mil toneladas estocadas, após receber 212 mil toneladas em maio. O porto de Manaus (AM), beneficiado pela zona franca, recebeu 101 mil toneladas no mês, representando 20,6% das importações nacionais. Já Fortaleza (CE) aparece em terceiro, com 11,8% de participação (57,7 mil toneladas).
A expectativa, segundo Loureiro, é que os volumes de importação continuem altos nos próximos meses: “O número de junho deve nos surpreender novamente, e tudo indica que julho e agosto seguirão nessa mesma tendência. Em 2025, o Brasil pode alcançar um volume recorde de importação de aço plano.”
Mercado interno segue aquecido
Apesar do avanço das importações, o mercado interno de aço permanece aquecido. Em maio, as vendas dos distribuidores somaram 329 mil toneladas de aço plano — um crescimento de 3,7% em relação a abril e 4,2% na comparação anual. No acumulado de janeiro a maio, foram vendidas 1,62 milhão de toneladas, alta de 1,6% frente ao mesmo período de 2024.
O desempenho por dia útil em maio foi de 16,4 mil toneladas, o melhor resultado para o mês desde 2016, superando o recorde anterior de 15,3 mil toneladas diárias registrado em maio de 2021.
A previsão do Inda para junho é de nova alta nas vendas, com expectativa de 342,1 mil toneladas — um crescimento de 4% em relação a maio, encerrando o primeiro semestre de 2025 com avanço de 1,5% nas vendas do setor.