
Com o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 50% às exportações brasileiras a partir de 1º de agosto, indústrias de todo o país já começam a traçar estratégias para enfrentar um possível cenário de crise.
Mesmo sem uma notificação oficial por parte do governo norte-americano — o comunicado foi feito por Trump em uma de suas redes sociais — o setor industrial brasileiro está em alerta. Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Paulo Baraona, o momento é de cautela e planejamento.
“As empresas já discutem a redução da produção e até a possibilidade de demissões, numa tentativa de minimizar os impactos econômicos e preservar a sustentabilidade dos negócios”, afirmou Baraona.
Ele destacou ainda que as 27 federações estaduais das indústrias têm mantido encontros frequentes com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), liderada por Ricardo Alban, que, por sua vez, está em contato direto com o governo federal. Um levantamento está sendo realizado em todo o país para entender os prejuízos já causados pela insegurança nas relações comerciais com os EUA.
Setor de rochas em alerta
Um dos setores mais vulneráveis diante da possível taxação é o de rochas ornamentais, que emprega cerca de 480 mil pessoas em todo o Brasil, entre empregos diretos e indiretos. No Espírito Santo, esse número chega a 25 mil empregos diretos e mais de 100 mil indiretos, segundo o presidente do Sindirochas-ES, Ed Martins André.
Ele relatou que empresários do setor já começaram a frear investimentos. “Tem empresário capixaba que suspendeu a compra de equipamentos para uma pedreira no Nordeste e outro que adiou o corte de blocos. A insegurança já está travando decisões estratégicas”, explicou.
Embora ainda não tenham sido registradas paralisações totais nas exportações, o setor já sente os reflexos nas projeções de vendas e produção. “A dependência do mercado americano é enorme. Só os Estados Unidos representam 56% das exportações capixabas de rochas. Todos os outros 129 países somados não chegam a isso”, ressaltou André.
Segundo ele, alternativas de curto prazo para redirecionar a produção são limitadas. “Mesmo tentando diversificar mercados, há barreiras técnicas como espessuras específicas de chapas e o tempo necessário para maturação de novos projetos.”
Pesca também pode ser afetada
Outro segmento que demonstra grande preocupação é o setor pesqueiro. De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias e dos Armadores de Pesca do Estado, Luiz Gonzaga de Almeida Neto, mais de 90% do pescado exportado pelo Espírito Santo tem os EUA como destino. A imposição da tarifa tornaria inviável a operação de muitas embarcações locais.
“Caso a medida entre em vigor, o impacto será desastroso. Toda a cadeia produtiva, desde a pesca oceânica até o processamento do pescado, será comprometida”, alertou.
Apesar dos esforços de articulação com entidades internacionais e do apelo ao governo americano, ainda não houve avanços concretos para barrar a nova taxação. Enquanto isso, cresce a apreensão entre empresários e trabalhadores de setores inteiramente dependentes das exportações para os Estados Unidos.