
Alta da inflação, tarifas dos EUA e incertezas fiscais marcam o mercado financeiro brasileiro neste segundo semestre.
O mercado financeiro brasileiro entra em agosto de 2025 com sinais mistos: enquanto o país mantém juros elevados para controlar a inflação, o crescimento da economia segue em ritmo moderado. O cenário é impactado por fatores internos e externos, como o aumento das tarifas norte-americanas, tensões diplomáticas e uma política fiscal ainda considerada frágil por analistas.
Selic em 15% e inflação acima da meta
O Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, interrompendo o ciclo de alta, mas sinalizando que os juros devem permanecer nesse patamar até o início de 2026. A medida visa controlar a inflação, que segue pressionada por choques externos e pela alta de preços no setor de alimentos e combustíveis.
A projeção mais recente do mercado para o IPCA (índice oficial da inflação) é de 5,1% para 2025 e 4,45% em 2026, ainda acima do centro da meta de 3%.
Crescimento do PIB desacelera, mas se mantém positivo
Apesar das incertezas, o Brasil deve encerrar 2025 com crescimento econômico estimado entre 1,9% e 2,2%, segundo diferentes instituições financeiras. O BBVA Research, por exemplo, prevê avanço de 2,2% neste ano, enquanto o boletim Focus do Banco Central aponta para 1,98%.
Para 2026, a expectativa é de uma leve desaceleração, com projeções girando em torno de 1,6% a 1,9%, refletindo a manutenção dos juros altos e o impacto das restrições comerciais.
Déficit e dívida pública preocupam
A situação fiscal ainda é um ponto sensível. O governo trabalha com previsão de déficit primário de até R$ 104 bilhões em 2025, e a dívida pública deve representar entre 76% e 82% do PIB, segundo estimativas de bancos e agências internacionais. Especialistas alertam que, sem reformas estruturais, a sustentabilidade fiscal segue ameaçada.
Tarifas dos EUA e aproximação com a China
A imposição de tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras pelo governo dos Estados Unidos, em vigor desde 1º de agosto, trouxe nova tensão ao comércio exterior. O governo brasileiro optou por não retaliar, priorizando medidas internas de compensação, como linhas de crédito emergenciais para exportadores.
Ao mesmo tempo, o Brasil busca estreitar relações com a China e União Europeia. Entre as iniciativas em andamento está a emissão de “panda bonds”, títulos em moeda chinesa, que visam diversificar as fontes de financiamento do país.
Investidores mantêm foco em renda fixa
Com os juros elevados, a renda fixa segue atrativa para investidores. Títulos públicos como NTN-Bs oferecem retornos reais acima de 7% ao ano, impulsionando o volume de aplicações e atraindo recursos de fundos internacionais.
Além disso, o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil aumentou, especialmente via ETFs e fundos voltados à América Latina, em meio à busca global por diversificação fora dos Estados Unidos e da Europa.
Expectativas para os próximos meses
Com eleições municipais em 2026 e tensão fiscal persistente, os próximos meses devem ser marcados por alta volatilidade nos mercados. Ao mesmo tempo, setores como agronegócio, infraestrutura e exportações seguem como vetores de crescimento e atraem atenção de grandes investidores.
Especialistas também destacam o avanço do open finance e o fortalecimento de fintechs e práticas ESG como tendências que devem redesenhar o mercado financeiro nacional nos próximos anos.