Interpol entra no caso de irmãos desaparecidos no Maranhão após resgate de 163 crianças nos EUA
Ágatha, de 6 anos, e Allan, de 4, desapareceram em janeiro. Família aguarda identificação das autoridades americanas para saber se os irmãos estão entre os menores localizados
O caso dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde janeiro no Maranhão, ganhou uma nova frente de investigação após a Interpol entrar em contato com a família. A medida ocorreu depois de uma operação realizada nos Estados Unidos que resultou no resgate de 163 crianças e adolescentes.
Os irmãos desapareceram no dia 4 de janeiro, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão. Desde então, familiares e forças de segurança realizam buscas para tentar descobrir o paradeiro das crianças.
A possibilidade de que Ágatha e Allan estejam entre os menores localizados nos Estados Unidos trouxe esperança à família. No entanto, até o momento, não há confirmação oficial de que os dois irmãos estejam entre as crianças resgatadas.
Operação resgatou 163 crianças
A operação que chamou a atenção das autoridades brasileiras foi realizada no estado da Flórida, nos Estados Unidos. A ação teve como objetivo localizar crianças desaparecidas e combater situações relacionadas à exploração e ao tráfico de pessoas.
Ao todo, 163 crianças e adolescentes, com idades entre dois meses e 17 anos, foram localizados pelas autoridades americanas.
A presença de crianças de diferentes nacionalidades entre os menores encontrados fez com que o caso passasse a ser acompanhado também por autoridades brasileiras. A Interpol foi acionada para auxiliar no intercâmbio de informações e na possível identificação de crianças brasileiras.
Família aguarda resposta
A mãe de Ágatha e Allan foi procurada pela Interpol e agora aguarda a conclusão das análises que poderão indicar se os filhos estão entre os menores encontrados nos Estados Unidos.
A defesa da família também acompanha o caso e busca informações junto às autoridades brasileiras e americanas. O objetivo é cruzar dados, fotografias, características físicas e outras informações que possam confirmar ou descartar uma possível ligação entre os irmãos desaparecidos e alguma das crianças localizadas na operação.
A atuação da Interpol, porém, não significa que Ágatha e Allan tenham sido encontrados. Neste momento, trata-se de uma nova possibilidade investigativa.
Desaparecimento mobilizou centenas de pessoas
O desaparecimento dos irmãos mobilizou uma grande operação de buscas no Maranhão. Nos primeiros dias, centenas de pessoas participaram das buscas em áreas de mata e regiões próximas à comunidade onde as crianças foram vistas pela última vez.
Equipes das forças de segurança utilizaram cães farejadores, drones, aeronaves e equipamentos de tecnologia para tentar localizar algum vestígio dos irmãos. As buscas também chegaram ao Rio Mearim, com a participação de equipes especializadas.
Mesmo com o esforço das equipes, as crianças não foram encontradas.
Ao longo dos meses, diversas informações e denúncias foram analisadas pelas autoridades. Algumas delas levaram investigadores a outras regiões do país, mas nenhuma resultou, até agora, na localização dos irmãos.
Investigação ganha dimensão internacional
Com a entrada da Interpol, o caso passa a contar com uma nova possibilidade de investigação fora do território brasileiro.
As autoridades deverão analisar as informações disponíveis sobre as 163 crianças localizadas nos Estados Unidos e verificar se existe alguma correspondência com Ágatha e Allan.
Enquanto os procedimentos de identificação continuam, a família mantém a esperança de finalmente descobrir o que aconteceu com os irmãos.
Até que as autoridades concluam as análises, não é possível afirmar que Ágatha e Allan estejam entre as crianças resgatadas nos Estados Unidos. A expectativa agora é de que a cooperação internacional possa trazer uma resposta para um dos casos de desaparecimento que mais mobilizaram o Maranhão neste ano.

