Acusado de golpe milionário é condenado a 12 anos e 6 meses de prisão no ES
Tarlan Moura Lyra, de 41 anos, foi condenado por cinco estelionatos e deverá pagar R$ 2,3 milhões para reparar os prejuízos apontados no processo. Decisão é de primeira instância.
Tarlan Moura Lyra, de 41 anos, foi condenado pela Justiça do Espírito Santo a 12 anos e 6 meses de prisão, em regime inicialmente fechado, por cinco crimes de estelionato. Ele também deverá pagar R$ 2,311 milhões para reparação dos prejuízos atribuídos às cinco vítimas, além de 700 dias-multa e das custas processuais.
A sentença é de primeiro grau e determina que Tarlan permaneça preso enquanto houver recurso. O juiz negou o direito de recorrer em liberdade e manteve a prisão preventiva.
Segundo a decisão, os crimes ocorreram entre 2023 e 2025. De acordo com as provas analisadas no processo, Tarlan teria atraído as vítimas com propostas de investimento na compra e revenda de produtos da Apple, como iPhones, MacBooks e Apple Watches.
As aplicações, conforme a sentença, prometiam retornos de 6% a 12,5% em períodos curtos.
Pagamentos iniciais aumentaram a confiança
A decisão aponta que, no início das operações, alguns investidores chegaram a receber os valores prometidos. Segundo o processo, a prática teria contribuído para aumentar a confiança das vítimas e permitir a entrada de quantias maiores.
Posteriormente, os pagamentos teriam sido interrompidos, deixando os investidores sem receber os valores esperados.
Um dos prejuízos analisados pela Justiça ultrapassou R$ 1,2 milhão. Somados os valores das cinco vítimas consideradas no processo, o dano chegou a aproximadamente R$ 2,311 milhões.
Movimentações de R$ 115,6 milhões
Um Relatório de Inteligência Financeira citado na sentença identificou R$ 115,6 milhões em movimentações nas contas relacionadas a Tarlan entre agosto de 2022 e setembro de 2025.
Ainda segundo a decisão, parte dos valores recebidos teria sido pulverizada por meio de saques e transferências e direcionada para plataformas de apostas esportivas.
O juiz considerou comprovados cinco crimes de estelionato e entendeu que os delitos deveriam ser tratados individualmente. Por isso, as penas aplicadas a cada crime foram somadas.
A sentença também levou em consideração a forma de atuação descrita no processo, incluindo o uso de relações de amizade e confiança para conquistar as vítimas e o tamanho dos prejuízos apontados.
Prisão e período como foragido
Tarlan já estava preso preventivamente. Em janeiro deste ano, quando era procurado pela Justiça, policiais militares foram até a residência dele, no bairro Jardim Camburi, em Vitória, para cumprir o mandado de prisão.
No imóvel, os agentes encontraram apenas os pais do investigado. Na ocasião, eles disseram que Tarlan havia se mudado para São Paulo.
Durante as buscas, os policiais localizaram uma pistola.
A investigação também apontou que, mesmo depois de deixar de realizar pagamentos, Tarlan teria continuado a solicitar novos aportes financeiros.
Após permanecer foragido desde janeiro, ele se apresentou em março no Fórum Criminal de Vitória e foi preso.
Defesa alegou que havia sociedade
Durante o processo, a defesa sustentou que as pessoas apontadas como vítimas seriam, na realidade, sócias ou parceiras de Tarlan em operações de compra e venda de produtos eletrônicos.
Na época da prisão, o advogado Nelson Moreira Júnior afirmou que havia documentos que comprovariam que os envolvidos haviam recebido lucros com as operações.
A defesa também alegou que Tarlan e familiares teriam sido vítimas de ameaças e extorsões, o que teria levado o acusado a deixar Vitória.
Na sentença, entretanto, o juiz rejeitou o argumento de que o caso seria apenas um inadimplemento de natureza civil. Para o magistrado, as provas reunidas apontaram para a existência de fraude desde o momento da captação dos recursos.
Entre os elementos considerados na decisão estão comprovantes de transferências bancárias, conversas entre Tarlan e as vítimas, atas notariais, boletins de ocorrência, depoimentos e o Relatório de Inteligência Financeira.
Reparação de R$ 2,3 milhões
Além da pena de prisão, a sentença estabeleceu uma reparação mínima de R$ 2,311 milhões às cinco vítimas.
O valor deverá ser acrescido de juros de 1% ao mês desde a citação, além de correção monetária a partir das respectivas datas dos prejuízos.
A condenação, no entanto, ainda não é definitiva, por se tratar de uma decisão de primeira instância. Tarlan permanece preso durante a tramitação de eventuais recursos, conforme determinado na sentença.
A reportagem tenta contato com a defesa de Tarlan Moura Lyra. O espaço permanece aberto para manifestação.

