
Com a colheita do café entre os meses de maio e setembro, o interior do Brasil ganha um novo ritmo. O cheiro de café no ar se mistura com a movimentação nas lavouras, o vai e vem de caminhões, e um otimismo silencioso que percorre as pequenas cidades. Para quem vive por ali, essa época não é só sobre grãos maduros e sacas cheias—é sobre oportunidades, renda e crescimento coletivo.
Em cidades onde a principal atividade econômica está ligada ao agronegócio, especialmente ao café, a colheita representa um verdadeiro motor econômico. Pequenos produtores, cooperativas e trabalhadores sazonais veem a renda aumentar, o comércio local ganha fôlego, e até setores como alimentação, transporte e hospedagem sentem os impactos positivos.
“Quando começa a colheita, o movimento aumenta bastante. Gente chegando para trabalhar, lanchar, comprar coisas. É a melhor época do ano”, relata Maciele Almeida, proprietária de uma Lanchonete na Rodoviária de São Gabriel da Palha.
A colheita também é uma das maiores empregadoras temporárias do campo. Para muitas famílias, representa a chance de equilibrar as contas, guardar dinheiro ou investir em melhorias na própria casa.
Embora os desafios ainda existam, iniciativas de colheita sustentável e de valorização do trabalhador têm ganhado força, garantindo mais segurança e condições justas para quem põe a mão na terra.
Além do impacto direto, o ciclo do café ajuda a preservar tradições culturais, movimenta festas regionais e incentiva o turismo rural. Muitas cidades aproveitam a safra para mostrar seus saberes, suas receitas e sua hospitalidade, fortalecendo o sentimento de pertencimento e identidade local.
E não é só isso: cada xícara de café especial que chega à mesa de consumidores do Brasil e do mundo carrega a história de uma cidadezinha, de uma família, de um pedaço de chão fértil e trabalhador.