
Em pelo menos 27 municípios do Espírito Santo, há mais moradores recebendo o benefício do Bolsa Família do que pessoas empregadas formalmente com carteira assinada. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que apontam um cenário preocupante sobre o mercado de trabalho e a dependência de programas sociais.
Além do Bolsa Família, outros auxílios oferecidos pelo governo federal, como o Vale-Gás, também compõem a renda de milhares de famílias capixabas. Empresários alegam que esses benefícios acabam desestimulando parte da população a buscar empregos formais, incentivando a informalidade.
Já especialistas em economia e políticas públicas avaliam que o problema está na baixa remuneração oferecida no mercado formal. Segundo eles, melhorar salários e ampliar benefícios trabalhistas poderia ser o caminho para atrair esses trabalhadores para empregos com carteira assinada, reduzindo a dependência de auxílios governamentais.
A discrepância entre os dois grupos revela desafios estruturais em diversas cidades do Estado, onde o setor produtivo ainda não consegue absorver toda a força de trabalho disponível.