
Nos bastidores da política capixaba, um movimento tem chamado atenção e pode mudar completamente o jogo eleitoral no Espírito Santo: MDB e Republicanos estão discutindo a formação de uma federação partidária. A aliança, caso se concretize, pode representar um verdadeiro “plano B” para forças políticas que buscam se reposicionar, especialmente se o ex-deputado Ricardo Ferraço passar a comandar de forma mais direta os rumos do MDB no Estado.
A possível federação entre os dois partidos começou a ser ventilada com mais força nas últimas semanas e tem gerado especulações entre lideranças e analistas políticos. A medida, se efetivada, uniria não apenas as estruturas partidárias, mas também compromissos políticos de médio e longo prazo — já que uma federação exige, por lei, uma convivência mínima de quatro anos entre os partidos envolvidos.
No entanto, o que torna essa movimentação ainda mais significativa é o impacto direto que ela teria no xadrez político envolvendo nomes de peso, como o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o próprio Ricardo Ferraço. Caso Ricardo ganhe mais espaço e passe a “dar as cartas” dentro do MDB capixaba, lideranças do Republicanos já discutem internamente formas de garantir autonomia e espaço estratégico — daí surge a ideia da federação como uma jogada política preventiva.
Fontes ligadas aos dois partidos confirmam que há conversas em andamento, mas também reconhecem que o projeto ainda está em fase inicial. “Existe uma sinalização nacional para aproximação, mas ainda estamos avaliando as condições locais”, revelou um dirigente em reserva.
A federação poderia criar um bloco político robusto com peso no cenário estadual, especialmente nas eleições de 2026. Mas há também quem veja a proposta com ceticismo. Alguns líderes temem que a aliança fique restrita ao plano das ideias, sem avançar devido a divergências regionais, disputas internas por espaço e interesses conflitantes.
A tensão aumenta com a movimentação de Ricardo Ferraço nos bastidores. Cotado para assumir papel de liderança no MDB estadual, seu retorno à articulação política mais ativa causa desconforto em aliados de Pazolini, já que Ricardo tem histórico de influência nas estruturas partidárias e uma postura firme em negociações políticas.
Para muitos observadores, a formação da federação seria, na prática, uma antecipação das disputas de poder que devem marcar os próximos anos no Espírito Santo, especialmente com o fim do mandato de Pazolini na Prefeitura de Vitória se aproximando e os partidos já se preparando para 2026.
Enquanto isso, nos bastidores, as conversas seguem em ritmo intenso, e todos observam atentamente cada movimento dos principais atores políticos envolvidos. Se a federação sair do papel, será um divisor de águas. Se não sair, terá servido ao menos como alerta e termômetro das tensões que fervem nos bastidores da política capixaba.