O aumento dos preços de alimentos e transportes, apontado pelo IPCA de março, está apertando ainda mais o orçamento das famílias brasileiras — especialmente das de menor renda — e pode agravar o já elevado nível de endividamento no país.
A pressão sobre itens básicos reduz a capacidade de pagamento e expõe os limites do alívio recente obtido por meio de renegociações de dívidas. Mesmo com a melhora da renda média, o peso das despesas essenciais continua crescendo e comprometendo o equilíbrio financeiro das famílias.
De acordo com Rogério Sobreiro, economista-chefe do Banco do Nordeste, o encarecimento desses itens ajuda a explicar a piora nas condições de crédito observada desde o início de 2025. Isso porque uma parcela maior da renda tem sido direcionada para gastos indispensáveis, reduzindo o espaço para o pagamento de contas e dívidas.
Dados de 2025 da Fundação Getulio Vargas (FGV) reforçam esse cenário: famílias com renda de até 1,5 salário mínimo comprometem entre 22% e 22,6% do orçamento apenas com alimentação. Esse percentual é cerca de três vezes maior do que o registrado entre as famílias de renda mais alta.
O custo com transporte também pesa significativamente. Dependendo da região metropolitana e da frequência de uso, essa despesa pode consumir de 10% a 20% da renda familiar, figurando entre os principais gastos mensais. Assim, qualquer aumento nesses preços tem impacto direto no bolso da população.
Com menos margem no orçamento, cresce o risco de inadimplência, o que acende um alerta tanto para o governo quanto para o sistema financeiro sobre a sustentabilidade do crédito no país.

