- O Brasil registra um avanço científico promissor na área de medicina regenerativa. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), liderados pela cientista Tatiana Coelho de Sampaio, vêm desenvolvendo um novo tratamento experimental que mostrou capacidade de restaurar parte dos movimentos em paraplégicos e tetraplégicos.
A terapia envolve uma substância chamada polilaminina — uma proteína derivada da placenta humana — que, quando aplicada diretamente no local da lesão medular, pode estimular a regeneração de conexões nervosas. Estudos em animais, como cães e ratos com lesões completas da medula espinhal, demonstraram recuperação significativa da mobilidade após a aplicação da polilaminina, algo que até então não havia sido observado em modelos experimentais.
Em experiências iniciais com humanos, dentro de protocolos acadêmicos, alguns voluntários paraplégicos recuperaram parcialmente seus movimentos, incluindo controle do tronco ou capacidade de dar passos assistidos — resultados considerados improváveis sem intervenção médica especializada. Embora o número de participantes seja ainda reduzido, os pesquisadores classificam os dados como promissores.
Este mês, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou formalmente o início de um estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança da polilaminina em humanos com lesão raquimedular aguda (trauma recente na medula espinhal). Nesta fase, até cinco pacientes voluntários receberão a substância sob supervisão médica rigorosa, com o objetivo de observar possíveis efeitos adversos e estabelecer parâmetros para estudos posteriores.
O ministro da Saúde ressaltou que essa iniciativa representa um marco histórico para a ciência brasileira, pois se trata de um desenvolvimento 100% nacional e que pode, no futuro, transformar a maneira como lesões medulares são tratadas no Brasil e no mundo.
Especialistas no exterior acompanham com interesse essa pesquisa, que, embora ainda esteja no início dos testes clínicos, pode abrir caminho para terapias inovadoras que combinem regeneração tecidual com os tratamentos atuais de reabilitação.

