O processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Brasil passa por uma das mudanças mais significativas dos últimos anos. No Espírito Santo, desde o dia 19 de janeiro, as manobras de baliza e a prova de subida em ladeira deixaram de ser etapas obrigatórias no exame prático de direção, conforme anunciou o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES).
A alteração segue uma nova resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e já foi adotada em estados como Amazonas, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Com as novas regras, a avaliação prática passa a ocorrer exclusivamente em percurso de circulação real, no qual o examinador observa o comportamento do candidato em situações cotidianas do trânsito.
Durante o trajeto, são analisados critérios como o uso correto das setas e retrovisores, o controle dos pedais, a atenção à sinalização e o respeito às normas viárias. O sistema de pontuação também foi reformulado: agora, o candidato pode perder até 10 pontos, sendo reprovado ao atingir esse limite, conforme a gravidade das infrações cometidas.
Pontos positivos da mudança
Entre os principais benefícios apontados por especialistas está a aproximação do exame com a realidade do trânsito, tornando a avaliação mais prática e condizente com o dia a dia dos motoristas. A mudança também amplia o foco na condução segura e responsável, priorizando atitudes, percepção de risco e tomada de decisões em vias públicas.
Outro aspecto positivo é a redução da pressão sobre manobras específicas, como a baliza, que muitas vezes reprovava candidatos mesmo quando demonstravam bom desempenho na condução geral do veículo.
Pontos negativos e críticas
Por outro lado, a retirada da baliza e da subida em ladeira como etapas obrigatórias gera questionamentos. Instrutores alertam que essas manobras continuam sendo habilidades essenciais, especialmente em centros urbanos, e temem que a flexibilização comprometa a formação completa dos novos condutores.
Há também preocupação quanto à padronização da avaliação, já que o percurso em vias públicas pode variar, influenciado por fatores externos como trânsito intenso ou condições climáticas, o que pode impactar a igualdade de critérios entre os candidatos.
Apesar das divergências, a reformulação é vista como um avanço por parte do Detran, que aposta em um modelo mais moderno e alinhado às demandas atuais do trânsito. O debate, no entanto, segue aberto entre especialistas, instrutores e futuros motoristas sobre a efetividade das novas regras na formação de condutores mais seguros.

