
O recente aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, provocou forte reação no Congresso e no mercado financeiro. A medida, que visava reforçar a arrecadação federal, elevou as alíquotas do IOF sobre operações de crédito, contribuições a fundos de previdência e transações internacionais com cartões.
A decisão foi formalizada por decreto presidencial e tinha como objetivo gerar R$ 20,5 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026. No entanto, a medida foi criticada por aumentar o custo do crédito e por não ter sido discutida previamente com o Banco Central e o Congresso.
Diante da pressão, o governo recuou parcialmente, revogando o aumento do IOF sobre investimentos brasileiros no exterior, que passaria de 0% para 3,5%. Essa reversão reduz a previsão de arrecadação em R$ 6 bilhões até 2026.
Apesar do recuo parcial, outras alíquotas elevadas continuam em vigor, como o IOF de 3,95% sobre empréstimos corporativos e de 3,5% sobre compras internacionais com cartão. O ministro Haddad reconheceu que a medida foi mal coordenada e afirmou que o governo está aberto a discutir alternativas com o Congresso para alcançar o equilíbrio fiscal.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizou que o Congresso pode derrubar o decreto, criticando a estratégia do governo de aumentar impostos sem reformas estruturais. O governo tem agora até 10 dias para apresentar uma proposta alternativa que substitua o aumento do IOF.
A situação evidencia os desafios do governo em equilibrar as contas públicas sem recorrer a aumentos de impostos que impactem negativamente a economia e enfrentem resistência política.