Emojis podem ser usados por criminosos no aliciamento de crianças e adolescentes na internet
Emojis associados a alimentos, personagens infantis e outros símbolos podem ser utilizados por criminosos para iniciar contato com crianças e adolescentes nas redes sociais. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, esses elementos também podem servir como uma forma velada de comunicação entre pessoas envolvidas em crimes de exploração sexual infantil.
Entre os símbolos citados estão emojis de pizza, pirulito, macarrão instantâneo, queijo, milho, espiral azul e personagens ligados ao universo infantil. A utilização desses sinais, porém, não deve ser interpretada isoladamente como prova de uma intenção criminosa. O comportamento adotado durante a interação é considerado um dos principais elementos de atenção.
O delegado Ícaro Olimpio, adjunto da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), explica que o aliciamento costuma ocorrer de maneira gradual. Depois de estabelecer contato, o criminoso pode começar a introduzir assuntos relacionados à sexualidade, fazer comentários inadequados, enviar imagens sugestivas e, posteriormente, pedir fotos à criança ou ao adolescente.
Segundo o delegado, criminosos também podem recorrer a imagens que remetem ao universo infantil para tentar criar uma aproximação. Em um dos casos acompanhados pela polícia, por exemplo, uma imagem da Sininho, personagem de Peter Pan, teria sido utilizada como foto de perfil.
Aproximação pode envolver atenção, presentes e elogios
A psicóloga e advogada Sátina Pimenta explica que o aliciador pode tentar identificar necessidades emocionais ou materiais da vítima para estabelecer uma relação de confiança.
Entre as estratégias podem estar elogios frequentes, presentes, atenção constante, promessas e a criação de uma sensação de exclusividade. A aproximação pode explorar sentimentos de falta de pertencimento, reconhecimento, escuta ou vínculos seguros.
Para o especialista em Segurança Pública e Privada Emir Pinho, mais importante do que identificar determinados símbolos é observar mudanças de comportamento e a forma como ocorre a interação.
Entre os sinais de alerta estão aproximações insistentes, pedidos para manter a conversa em segredo, sexualização progressiva do contato, solicitação de imagens, ameaças, chantagem e tentativas de afastar a criança de familiares e amigos.
O que fazer diante de uma suspeita
A orientação do delegado Ícaro Olimpio é preservar as evidências. Conversas, capturas de tela, números de telefone, nomes de usuário e demais informações relacionadas ao contato devem ser guardados.
A recomendação é evitar apagar imediatamente a conta ou as mensagens e não confrontar o suspeito. Em caso de suspeita ou possível crime, a orientação é procurar as autoridades e registrar um boletim de ocorrência, permitindo que o caso seja investigado.
Mudanças de comportamento merecem atenção
Além das interações nas redes sociais, familiares e responsáveis devem observar possíveis mudanças no comportamento da criança ou do adolescente.
Esconder a tela do celular, alterar senhas com frequência, apresentar irritabilidade ou ansiedade, afastar-se de familiares e amigos e ter queda no rendimento escolar podem ser sinais de que algo está acontecendo.
Casos de autolesão também exigem atenção imediata. O diálogo aberto e o acompanhamento próximo são apontados como importantes ferramentas de prevenção, criando um ambiente em que a criança ou o adolescente se sinta seguro para relatar situações desconfortáveis ou contatos inadequados na internet.

