
O setor cafeeiro brasileiro recebeu com cautela as medidas anunciadas pelo governo federal para apoiar empresas impactadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Apesar de avaliar a iniciativa como positiva, os exportadores ainda aguardam esclarecimentos e reforçam que a prioridade continua sendo a negociação para retirada das tarifas de 50% sobre o café brasileiro.
A principal dúvida do setor é quanto ao alcance do Reintegra, programa que devolve às empresas parte dos tributos pagos durante a produção de bens destinados à exportação. Atualmente, o mecanismo não contempla o café verde beneficiado, que representa mais de 90% das vendas do Brasil ao mercado norte-americano.
De acordo com Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), é fundamental que o governo inclua esse tipo de café no programa. “Precisamos colocar os códigos do café verde dentro do Reintegra para que os exportadores também sejam atendidos”, destacou.
O setor ressalta que a maior urgência é garantir uma negociação bilateral entre Brasil e Estados Unidos, já que o grão brasileiro é insubstituível para os americanos. “Uma tarifa de 50% compromete a competitividade do café nacional e aumenta custos justamente em um momento de estoques baixos de arábica”, alertou Matos.
Café solúvel pede ajustes
A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) também reconheceu os avanços do pacote, mas apontou que a medida terá pouco efeito se o Reintegra for aplicado apenas às exportações para os EUA. Segundo a entidade, a devolução de até 3% dos tributos é insuficiente frente à tarifa de 50%.
Para o setor, o benefício precisa abranger todos os destinos internacionais. Dessa forma, empresas teriam mais competitividade em outros mercados, caso deixem de embarcar para os Estados Unidos. Hoje, os americanos respondem por cerca de 20% das exportações brasileiras de café solúvel.
Expectativa por detalhamentos
Além do Reintegra, os exportadores cobram explicações sobre os fundos e linhas de financiamento anunciados. As dúvidas giram em torno de prazos, taxas de juros e limites por empresa, especialmente para indústrias que utilizam o mecanismo de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC).
Para Vinicius Estrela, diretor-executivo da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), o pacote representa um alívio imediato, mas ainda não soluciona os problemas de longo prazo. “As medidas ajudam no curtíssimo prazo e dão tempo ao governo para negociar uma saída definitiva”, avaliou.
Enquanto isso, o setor cafeeiro continua a pressionar por isenção total das tarifas e pela ampliação de acordos internacionais que blindem o produto brasileiro de novas barreiras comerciais.