
Ao longo dos três primeiros anos de seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve acumular mais de R$ 300 bilhões em gastos extraordinários — despesas que, apesar de legais, escapam das regras fiscais e não entram no cálculo da meta fiscal oficial. O valor, estimado em cerca de R$ 324 bilhões entre 2023 e 2025, acende um alerta sobre as prioridades do governo em um país onde milhões ainda lutam diariamente contra a fome, o desemprego e a precariedade dos serviços públicos.
O levantamento foi feito pela Instituição Fiscal Independente (IFI) a pedido do jornal Poder360 e confirmado pela CNN Brasil. Do total, R$ 241,3 bilhões foram liberados só em 2023, impulsionados principalmente pela PEC da Transição e pelo pagamento de precatórios. Em 2024, o número caiu para R$ 33,8 bilhões, e a previsão do Ministério da Fazenda é que R$ 49,3 bilhões fiquem de fora das regras neste ano.
Embora os gastos tenham respaldo legal e não estejam incluídos no cálculo da meta fiscal, especialistas ouvidos pela CNN alertam que o volume elevado pressiona o orçamento público, fragiliza a confiança no controle das contas e piora a percepção fiscal do país — o que pode afetar investimentos e, indiretamente, a economia como um todo.
O contraste com a realidade da população é gritante: em um país onde mais de 30 milhões de brasileiros vivem em situação de insegurança alimentar grave, segundo dados da Rede PENSSAN, a flexibilização de regras fiscais para liberar centenas de bilhões de reais levanta questionamentos sobre onde está o foco do governo.
Enquanto isso, famílias enfrentam filas nos hospitais públicos, falta de vagas em creches, transporte de má qualidade e preços altos nos alimentos. A promessa de responsabilidade social não pode ignorar a responsabilidade fiscal — especialmente quando cada real mal alocado representa oportunidades perdidas de melhorar a vida de quem mais precisa.