
Marina Silva e o deputado Evair de Melo durante sessão da Comissão de Agricultura Crédito: Vinicius Loures/Agência Câmara
Ministra do Meio Ambiente foi comparada a grupos extremistas por Evair de Melo (PP-ES) durante audiência na Câmara; ela afirmou que reação é fruto de preconceito e machismo
📍 Brasília
✍️ Estadão Conteúdo
📅 Publicado em 2 de julho de 2025, às 15h03
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, voltou a ser alvo de ataques nesta quarta-feira (2), durante audiência na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. O autor das declarações foi novamente o deputado federal Evair de Melo (PP-ES), que já havia protagonizado embates anteriores com a ministra.
Durante a sessão, Evair acusou Marina de seguir uma suposta estratégia retórica semelhante à de grupos extremistas como as FARC, o Hamas e o Hezbollah. Ele também reafirmou que ela seria uma figura “adestrada”, expressão que já havia usado em uma audiência anterior, em 2024.
“Usei a expressão adestramento numa sessão passada, e não foi uma ofensa pessoal”, disse o deputado. “A estratégia dela é a mesma que as Farc, o Hamas e o Hezbollah usam.”
Em resposta, Marina afirmou ter se sentido “terrivelmente agredida” e que iniciou a audiência com uma oração pedindo calma. Ela também classificou a sessão como mais hostil do que a que enfrentou no Senado em maio, da qual precisou se retirar após sucessivos ataques de parlamentares da oposição.
“Fui terrivelmente agredida. Depois do que aconteceu no Senado, acham normal fazer o que está acontecendo aqui num nível piorado”, declarou Marina.
A ministra compareceu à audiência por convocação obrigatória, para prestar esclarecimentos sobre questões como o apoio ao Acampamento Terra Livre, o avanço das queimadas e o impacto ambiental da COP30, prevista para acontecer em Belém (PA).
Marina defendeu sua participação no evento indígena em abril e explicou que a obra da rodovia mencionada na COP30 é de responsabilidade do governo do Pará, e não do governo federal.
Ofensas e embates com a oposição
O clima da audiência foi marcado por trocas de farpas e ofensas. O presidente da comissão, deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS), ironizou a postura da ministra, dizendo que ela se comportava como “paladina da sustentabilidade”. Já governistas classificaram a postura da oposição como desrespeitosa.
Evair de Melo voltou a criticar a atuação de Marina à frente da pasta ambiental, acusando o Ibama de atuar como “indústria da multa” e dizendo que a ministra “não compreende o agronegócio”.
“A senhora nunca trabalhou, nunca produziu. Não sabe o que é prosperidade construída pelo trabalho”, afirmou o parlamentar.
Em resposta, Marina rebateu:
“Estou muito tranquila com a minha consciência. Que Deus julgue entre mim e vossa excelência e dê seu veredito.”
Ao ser interrompida em diversos momentos, Marina também apontou machismo e preconceito nas falas dos deputados opositores.
“Quando homens falam alto, são chamados de incisivos. Quando uma mulher fala com firmeza, mandam ela se acalmar. Isso é machismo, é racismo, é preconceito.”
Durante a discussão, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) chegou a gritar “calma, ministra”, enquanto ela defendia os servidores do Ibama. Marina respondeu dizendo que esse tipo de abordagem é uma forma desrespeitosa de se dirigir a uma mulher em posição de autoridade.
“A minha postura não é um show. É a defesa da dignidade”, concluiu a ministra.