A Polícia Federal (PF) solicitou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a declaração de suspeição do ministro Dias Toffoli na relatoria da investigação envolvendo o Banco Master, que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central (BC). O pedido tem como base informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nas quais aparecem menções a Toffoli e a outras autoridades com foro privilegiado.
O material, que está sob sigilo, foi entregue pessoalmente a Fachin pelo diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues. Segundo apuração, as conversas encontradas reforçariam suspeitas de uma possível proximidade entre Vorcaro e o ministro. Diante disso, Fachin notificou Toffoli para que se manifeste sobre a eventual existência de conflito de interesses.
Em nota, o gabinete de Toffoli afirmou que o pedido da PF se baseia em “ilações” e argumentou que a corporação não tem legitimidade para requerer a suspeição, por não ser parte no processo, conforme prevê o artigo 145 do Código de Processo Civil. O ministro informou que apresentará sua manifestação ao presidente da Corte.
A atuação de Toffoli no caso já vinha sendo alvo de questionamentos. Um dos episódios citados ocorreu quando o ministro viajou para Lima, no Peru, para assistir à final da Taça Libertadores, em um voo privado ao lado do empresário e ex-senador Luiz Oswaldo Pastore, do advogado Augusto Arruda Botelho — que atua no caso — e do ex-deputado Aldo Rebelo. À época, Toffoli afirmou que a viagem não teve qualquer relação com o processo envolvendo o banco.
Outro ponto que gerou controvérsia foi a decisão do ministro de marcar, para 30 de dezembro de 2025, uma acareação entre Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do BC, Aílton de Aquino. A PF considerou que a medida poderia interferir nas investigações e solicitou que o encontro fosse convertido em tomada de depoimentos, com eventual acareação.
A sessão foi conduzida pela delegada federal Janaína Palazzo, que recebeu perguntas previamente elaboradas pelo gabinete de Toffoli, por meio do juiz auxiliar Carlos Vieira von Adamek. Houve tensão no início da audiência, após a delegada comunicar ao diretor-geral da PF que o gabinete do ministro queria que ela seguisse um roteiro específico. Após contatos entre as partes, ficou acordado que as perguntas seriam tratadas como sugestões. Ao final, após mais de três horas de depoimentos, houve uma breve acareação entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa.
No âmbito do Senado, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que o colegiado solicitará acesso ao conteúdo apreendido no celular de Vorcaro, incluindo dados sob sigilo. A declaração foi feita após reunião com Fachin.
Segundo Renan, o encontro foi produtivo e tratou de aspectos da legislação processual penal e da competência da comissão na fiscalização do sistema financeiro. Ele defendeu que os trabalhos avancem rapidamente para a fase de depoimentos, sugerindo que o primeiro a ser ouvido seja o próprio Daniel Vorcaro.

