Uma quantia de R$ 200 mil em dinheiro vivo foi apreendida pela polícia na BR-101, na altura de Vila Capixaba, em Cariacica, na Grande Vitória. Segundo as investigações, o valor havia saído do bairro Planalto Serrano, na Serra, e seria levado até a comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, onde criminosos pretendiam comprar armas de alto calibre, principalmente fuzis.
A interceptação ocorreu na última sexta-feira (27), durante uma ação integrada das forças de segurança. O caso foi divulgado posteriormente pela Polícia Civil do Espírito Santo.
De acordo com a investigação, o transporte do dinheiro fazia parte de um esquema de apoio logístico ao tráfico interestadual e teria sido planejado logo após a Operação Fim da Rota, deflagrada na quinta-feira (26) em três estados: Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Abordagem na BR-101
A polícia chegou até o veículo por meio de informações de inteligência e do uso do sistema de Cerco Inteligente do Governo do Estado, que monitora veículos nas rodovias. Após a identificação do carro suspeito, equipes realizaram a abordagem na rodovia e encontraram o dinheiro.
A ação contou com a participação da Polícia Civil do Espírito Santo, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Penal do Espírito Santo e apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
O dinheiro apreendido foi encaminhado às autoridades, e a investigação continua para identificar todos os envolvidos no esquema criminoso.
Operação investiga “criminosos invisíveis”
A apreensão está ligada às apurações da Operação Fim da Rota, que investiga integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP). Segundo a polícia, o grupo é formado por pessoas sem antecedentes criminais e que vivem fora de áreas dominadas por facções, o que dificulta a identificação pelas autoridades.
Esses suspeitos são chamados de “invisíveis” porque mantêm uma rotina aparentemente comum — entre os investigados há profissionais como videomaker, publicitária, cozinheira e mecânico — enquanto atuam em atividades ligadas ao crime organizado.
De acordo com as investigações, o grupo atuava em lavagem de dinheiro, transporte de armas e logística para o tráfico de drogas entre estados. Parte dos recursos era movimentada por meio de empresas de fachada, contas de “laranjas” e até transações com criptoativos, para ocultar a origem ilícita do dinheiro.
Durante a operação, também foram cumpridos 26 mandados de busca e prisão em cidades do Espírito Santo, incluindo Vitória, Serra, Cariacica, Vila Velha, Montanha e Guarapari.
As autoridades ainda investigam se o dinheiro apreendido na rodovia fazia parte de uma rede maior de financiamento para compra de armas destinadas a facções criminosas que atuam no Rio de Janeiro.

