O diretor do Banco Pleno, Augusto Ferreira Lima, participou de ao menos oito reuniões com integrantes da cúpula do Banco Central do Brasil ao longo de 2025. Em apenas um desses encontros, realizado em setembro, ele apareceu na agenda oficial como diretor-presidente do Pleno — instituição que teve a liquidação extrajudicial decretada nesta quarta-feira (18) pela autoridade monetária. Nos demais compromissos, Lima foi identificado como CEO do Banco Master.
As informações constam nos registros públicos de agenda do BC e contrariam declaração feita pela defesa do banqueiro em novembro do ano passado. À época, os advogados afirmaram que Lima teria se desligado “definitivamente de todas as funções executivas no Banco Master em maio de 2024”.
Procurados, o Banco Central e o Banco Master não se manifestaram até a publicação desta reportagem. A defesa de Lima também não foi localizada.
A nota divulgada anteriormente foi assinada pelos advogados Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso e Sebastián Borges de Albuquerque Mello, após a prisão de Lima pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Master. Segundo o comunicado, o banqueiro foi surpreendido pela operação, pois as investigações tratariam de fatos posteriores à sua saída da instituição.
Nesta Quarta-feira de Cinzas, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, antigo Banco Voiter, que passou a ser controlado por Lima após aprovação da autoridade monetária em agosto do ano passado. Até julho daquele ano, o Voiter integrava o conglomerado do Master. Com a mudança de controle, a instituição também alterou sua denominação social.
Duas reuniões ocorreram às vésperas da formalização da transferência societária. Em 6 de agosto, Lima e o presidente do Master, Daniel Vorcaro, reuniram-se com o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino. No dia 14 do mesmo mês, ambos voltaram a se encontrar com Aquino, em reunião que também contou com a presença do então diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Gomes, e do procurador-geral do BC, Cristiano Cozer.
No mês seguinte à transação, Lima participou de videoconferência com Aquino, novamente como CEO do Master, um dia antes de o BC rejeitar a proposta de aquisição do banco pelo Banco de Brasília (BRB). Vorcaro também esteve presente.
A relação de Lima com o Master teve início em 2019, após a incorporação da Credcesta. Ele teria deixado a sociedade em 2024.
De acordo com levantamento, Lima ainda se reuniu com representantes do Banco Central como CEO do Master em 11 de abril, 8 de maio, 2 de julho e 19 de julho de 2025. O presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, participou desses encontros ao lado de outros diretores.
A única reunião registrada com Lima na condição de diretor-presidente do Pleno ocorreu em 11 de setembro, cerca de um mês após a aprovação da transferência de controle. O encontro foi realizado por videoconferência com Ailton de Aquino e Renato Gomes.
A apuração considerou exclusivamente compromissos divulgados na agenda oficial das autoridades monetárias.

