
Em um país onde a criminalidade já transborda nas ruas, dentro das casas e até nos noticiários da manhã, é inacreditável — e revoltante — que alguém pego com as mãos na cocaína consiga sair pela porta da frente, de cabeça erguida, enquanto a sociedade inteira carrega o peso do medo e da impunidade.
Estamos falando do piloto flagrado com 400 kg de drogas em uma aeronave. Um caso que, por si só, já seria escandaloso. Mas o que agrava tudo — o que nos faz duvidar se ainda existe Justiça de verdade neste país — é a notícia de que esse homem, esse agente do crime, esse criminoso profissional, foi solto.
Sim, solto.
Enquanto isso, milhares de jovens brasileiros morrem todos os anos por causa do tráfico de drogas — muitos recrutados por facções, outros vitimados pela violência indireta que o tráfico sustenta. Em vez de dar uma resposta dura, exemplar, o Judiciário escolheu fazer vista grossa, como se 400 kg de drogas fossem um pequeno “desvio de rota”.
Não estamos falando de um erro técnico. Estamos falando de um sintoma grave e recorrente. Um sistema que parece funcionar melhor para quem tem bons advogados do que para quem tem boas intenções. Um sistema que aprendeu a punir o ladrão de margarina, mas que libera o piloto do tráfico.
Essa decisão não é justiça — é uma afronta à inteligência e à dignidade do povo brasileiro.
É também um recado perigoso: vale a pena arriscar, porque mesmo se você for pego, a porta da cela pode se abrir antes que a sociedade entenda o que aconteceu.
Nós, cidadãos, que pagamos impostos, que cumprimos as leis, que criamos nossos filhos tentando fazer o certo, merecemos um Judiciário que esteja do nosso lado — não ao lado de quem financia o tráfico, destrói vidas e lucra com o sofrimento alheio.
Soltar um piloto envolvido em um crime desse porte não é garantir direitos individuais — é corroer o senso de justiça da nação. É apagar a linha entre o certo e o errado.
Não é só sobre um homem solto. É sobre um sistema que falha em proteger o bem comum. Um país onde traficantes voam livres enquanto cidadãos vivem presos em grades invisíveis — com medo, com indignação, com a certeza amarga de que, no Brasil, a Justiça ainda precisa aprender a decolar.