Casas Bahia busca empréstimo de R$ 1 bilhão para recompor estoques durante recuperação judicial
Em recuperação judicial, a Casas Bahia busca levantar cerca de R$ 1 bilhão com bancos e fundos de investimento para reforçar o caixa, recompor estoques e garantir a continuidade das operações.
A empresa começou a estruturar uma modalidade de financiamento conhecida como DIP (Debtor-in-Possession), destinada a companhias que estão em recuperação judicial. O mecanismo permite a entrada de dinheiro novo no caixa para financiar despesas e manter a atividade empresarial durante o processo de reestruturação.
A necessidade de recursos ocorre em meio às dificuldades enfrentadas pela varejista para manter seus estoques. No balanço divulgado neste domingo (16), a companhia informou que a recomposição de mercadorias ficou abaixo do planejado no segundo trimestre de 2026 devido, principalmente, às restrições de crédito e ao alto custo dos financiamentos.
Segundo a Casas Bahia, o volume de estoques disponíveis caiu mais de 20% no último trimestre. No mesmo período, a cobertura de estoque passou de 95 dias, em 31 de março, para 75 dias, em 30 de junho.
A redução da disponibilidade de produtos já afetou determinadas mercadorias, lojas e canais de vendas, segundo a empresa.
Outro fator citado pela companhia foi o atraso em uma operação internacional de captação de recursos considerada importante para seu planejamento financeiro. A operação não foi concluída dentro do prazo inicialmente previsto.
Recuperação judicial
A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na noite de domingo (16), na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Justiça de São Paulo. No processo, o grupo declarou uma dívida total de R$ 17,3 bilhões.
O pedido envolve dez empresas da holding, incluindo as responsáveis pelas marcas Casas Bahia e Ponto Frio, além do e-commerce Extra.com, da fabricante de móveis Bartira e de empresas ligadas às áreas de logística e tecnologia.
Do total da dívida, aproximadamente R$ 16,4 bilhões são devidos a credores quirografários, que não possuem garantias. Outros R$ 754 milhões correspondem a dívidas trabalhistas, enquanto R$ 154 milhões são devidos a microempresas e empresas de pequeno porte.
Entre as medidas previstas pela companhia estão cerca de 3 mil demissões e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo os documentos apresentados à Justiça, a Casas Bahia possui mais de 700 lojas físicas, enquanto o Ponto Frio conta com mais de 65 unidades.
A obtenção do financiamento DIP é considerada uma das medidas para preservar o funcionamento da empresa enquanto a Casas Bahia negocia uma reestruturação de suas dívidas com os credores.

